A Val, do blog "Com toda a minha alma" está fazendo um novo ciclo de perguntas para o projeto "52 perguntas para abrir sua mente", ao qual respondi no ano passado aqui no blog. É no mesmo formato: uma pergunta por semana.
E como eu curto essas brincadeiras reflexivas, decidi participar. Lá vai mais um meme para um ano cheio de propostas nesse estilo aqui no blog! rs
Responderei às primeiras três perguntas juntas pois eu estava viajando e ainda não coloquei a "casa" aqui em ordem. Vamos a elas:
PERGUNTA 1: Você já perdoou alguém que achou que nunca perdoaria? Se sim, como se sentiu? Como foi esse processo de perdoar ou não?
Eu nunca digo nunca. Então eu não me lembro de ter tido esse pensamento de achar que nunca perdoaria alguém por algo. Afinal, o mundo dá muitas voltas e eu sempre procuro analisar as questões de modo a procurar a parte que me coube em qualquer mal entendido ou situação de mágoa. Às vezes eu sinto que posso ter contribuído para a reação da pessoa e às vezes não: ela simplesmente não foi legal, agiu de má fé, não teve caráter, etc.
A situação mais difícil de perdoar foi quando eu sofri um período de bullying na minha adolescência. Eu achava injusto, cruel, uma covardia - como toda situação de bullying é. Levei alguns anos para compreender que não, eu não merecia ter sofrido aquilo e que eu não devo formar minha auto-percepção baseando-me em qualquer opinião superficial que os outros venham a ter sobre mim.
Perdoar aqueles adolescentes e perdoar a mim mesma foi um alívio. Resultado de um processo demorado que me exigiu muitas reformulações sobre mim mesma e alguma terapia. Hoje eu apenas lamento o "comportamento de gado" daquele grupo, a falta de orientação dos pais que eles sofreram e a imaturidade excessiva misturada com a necessidade de autoafirmação que eles possuíam, até pela idade...
A situação mais difícil de perdoar foi quando eu sofri um período de bullying na minha adolescência. Eu achava injusto, cruel, uma covardia - como toda situação de bullying é. Levei alguns anos para compreender que não, eu não merecia ter sofrido aquilo e que eu não devo formar minha auto-percepção baseando-me em qualquer opinião superficial que os outros venham a ter sobre mim.
Perdoar aqueles adolescentes e perdoar a mim mesma foi um alívio. Resultado de um processo demorado que me exigiu muitas reformulações sobre mim mesma e alguma terapia. Hoje eu apenas lamento o "comportamento de gado" daquele grupo, a falta de orientação dos pais que eles sofreram e a imaturidade excessiva misturada com a necessidade de autoafirmação que eles possuíam, até pela idade...
Atualmente estou em paz com este passado. E é apenas isso que me interessa: lidar bem com as consequências das experiências que já vivi.
PERGUNTA 2: Qual foi o melhor conselho que você recebeu no ano passado e por que? Quem o deu?
O melhor conselho foi "volte pra terapia". Quem me deu este conselho foi minha mãe e meu marido. Numa fase em que eu estava buscando significados, procurando leveza, querendo lidar com a depressão. Foi o melhor conselho possível!!! Hoje eu estou completamente diferente do que eu estava há 6 meses. Ter a humildade de procurar ajuda quando me perdi no meio do caminho, só me fez ganhar! :-)
PERGUNTA 3: Se um adolescente dissesse que quer prestar vestibular para seguir a carreira que você segue hoje, você o encorajaria ou o desestimularia? Por quê?
Pergunta bem complicadinha... rs A minha formação foi em Psicologia. E eu considero que a área de saúde mental no Brasil ainda é extremamente desvalorizada. No serviço público não há um número suficiente de profissionais para a demanda e as contratações nunca contemplam essa necessidade. A carreira independente possui as mesmas dificuldades que qualquer profissional liberal enfrenta. Existe a possibilidade de trabalhar em escolas, hospitais, instituições e ainda a carreira acadêmica ou de pesquisa. A flexibilidade é grande. Mas a minha percepção é a de que o profissional ainda não é valorizado como deveria. Nas verdade, as questões emocionais ainda são tabu e bastante minimizadas em nossa sociedade.
Num momento de crise, as pessoas fazem cortes no orçamento. Raríssimos os casos em que o indivíduo vai deixar de pagar remédios, de se alimentar, de pagar as contas mais imediatas ou de ter seus momentos de lazer com a família para pagar psicoterapia. Fora o fato de que as próprias empresas às vezes contratam outros profissionais como administradores de empresas com especialização em RH, por exemplo, para atuar no lugar de um psicólogo; ou no caso de escolas, preferem um pedagogo ou psicopedagogo. Enfim, o que eu vejo, na maior parte das vezes, são psicólogos acumulando mais de uma jornada de trabalho ou mantendo um emprego na área e outro emprego em outra área para dar conta de sobreviver.
Precisa gostar de ler, de estudar. Precisa se sujeitar a trabalhar muito de graça para ganhar experiência e fazer seu trabalho conhecido. Precisa ter disponibilidade para investir na formação: fazer psicoterapia, supervisão, cursos de aperfeiçoamento, participar de simpósios, enfim, é uma carreira que também tem "um que" de autofágica! rsrsrs os profissionais se retroalimentam mutuamente.
Eu amo, acho incrível, sou apaixonada pelo estudo da psicologia, apesar de não atuar na área. Adoro a intersecção que ela faz com outras áreas do conhecimento. Mas hoje eu penso que teria feito MUITA coisa diferente no meu processo de formação, no sentido do direcionamento que eu daria para a minha carreira.
Eu não encorajaria ou desencorajaria nenhum estudante. Apenas apresentaria os prós e os contras, sempre deixando claro que esta é a MINHA percepção. Mesmo porque, eu vejo inúmeros problemas nesta escolha profissional, mas sou completamente apaixonada pela área. Contradições fazem mesmo parte do processo... rsrsrs
PERGUNTA 2: Qual foi o melhor conselho que você recebeu no ano passado e por que? Quem o deu?
O melhor conselho foi "volte pra terapia". Quem me deu este conselho foi minha mãe e meu marido. Numa fase em que eu estava buscando significados, procurando leveza, querendo lidar com a depressão. Foi o melhor conselho possível!!! Hoje eu estou completamente diferente do que eu estava há 6 meses. Ter a humildade de procurar ajuda quando me perdi no meio do caminho, só me fez ganhar! :-)
PERGUNTA 3: Se um adolescente dissesse que quer prestar vestibular para seguir a carreira que você segue hoje, você o encorajaria ou o desestimularia? Por quê?
Pergunta bem complicadinha... rs A minha formação foi em Psicologia. E eu considero que a área de saúde mental no Brasil ainda é extremamente desvalorizada. No serviço público não há um número suficiente de profissionais para a demanda e as contratações nunca contemplam essa necessidade. A carreira independente possui as mesmas dificuldades que qualquer profissional liberal enfrenta. Existe a possibilidade de trabalhar em escolas, hospitais, instituições e ainda a carreira acadêmica ou de pesquisa. A flexibilidade é grande. Mas a minha percepção é a de que o profissional ainda não é valorizado como deveria. Nas verdade, as questões emocionais ainda são tabu e bastante minimizadas em nossa sociedade.
Num momento de crise, as pessoas fazem cortes no orçamento. Raríssimos os casos em que o indivíduo vai deixar de pagar remédios, de se alimentar, de pagar as contas mais imediatas ou de ter seus momentos de lazer com a família para pagar psicoterapia. Fora o fato de que as próprias empresas às vezes contratam outros profissionais como administradores de empresas com especialização em RH, por exemplo, para atuar no lugar de um psicólogo; ou no caso de escolas, preferem um pedagogo ou psicopedagogo. Enfim, o que eu vejo, na maior parte das vezes, são psicólogos acumulando mais de uma jornada de trabalho ou mantendo um emprego na área e outro emprego em outra área para dar conta de sobreviver.
Precisa gostar de ler, de estudar. Precisa se sujeitar a trabalhar muito de graça para ganhar experiência e fazer seu trabalho conhecido. Precisa ter disponibilidade para investir na formação: fazer psicoterapia, supervisão, cursos de aperfeiçoamento, participar de simpósios, enfim, é uma carreira que também tem "um que" de autofágica! rsrsrs os profissionais se retroalimentam mutuamente.
Eu amo, acho incrível, sou apaixonada pelo estudo da psicologia, apesar de não atuar na área. Adoro a intersecção que ela faz com outras áreas do conhecimento. Mas hoje eu penso que teria feito MUITA coisa diferente no meu processo de formação, no sentido do direcionamento que eu daria para a minha carreira.
Eu não encorajaria ou desencorajaria nenhum estudante. Apenas apresentaria os prós e os contras, sempre deixando claro que esta é a MINHA percepção. Mesmo porque, eu vejo inúmeros problemas nesta escolha profissional, mas sou completamente apaixonada pela área. Contradições fazem mesmo parte do processo... rsrsrs
4 comentários:
eu também tenho uma história de bulliyng e de ter perdoado a maior parte das pessoas que o praticou contra mim( bem, isso está na minha resposta..rsrs).
quanto á saúde mental, não só ela não é proridade no Brasil. pelo visto, a saúde como um todo, tanto a parte médica como a odontológica não são prioridade aqui... infelizmente!! bjs!!
Val,
Verdade. A saúde em geral não é prioridade aqui... :-(
Curti o meme viu! estou participando.
Camyli,
Que legal! Seja bem vinda! :-)
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